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Resumo: Os métodos de Ensino - Jose Carlos Libâneo

O processo de ensino se caracteriza pela combinação de atividades do professor e dos alunos. Estes, pelo estudo das matérias, sob direção do professor, vão atingindo progressivamente o desenvolvimento de suas capacidades mentais. A direção eficaz desse processo depende do trabalho sistematizado do professor que, tanto no planejamento como no desenvolvimento nas aulas conjuga objetivos, conteúdos, métodos e formas organizativas do ensino. Os métodos são determinados pela relação objetivos-conteúdos, e referem-se aos meios para alcançar os objetivos gerais e específicos do ensino, ou seja, ao “como” do processo de ensino, englobando as ações a serem realizadas pelo professor e pelos alunos para atingir objetivos e conteúdos. O conceito mais simples de “método” é o de caminho para atingir um objetivo. Na vida cotidiana estamos sempre perseguindo objetivos. Mas estes não se realizam por si mesmos, sendo necessária a nossa atuação, ou seja, a organização de seqüências de ações para atingi-los. Os métodos são, assim, meios adequados para realizar os objetivos.

O professor, ao dirigir e estimular o processo de ensino em função da aprendizagem dos alunos utiliza intencionalmente um conjunto de ações, passos condições externas e procedimentos, que chamamos de métodos de ensino. Por exemplo, à atividade de explicar a matéria corresponde o método de exposição; à atividade de estabelecer uma conversação ou discussão com a classe corresponde o método de elaboração conjunta.

 Os alunos, por sua vez, sujeitos da própria aprendizagem, utilizam-se de métodos de assimilação de conhecimentos. Por exemplo, à atividade dos alunos de resolver tarefas corresponde o método de resolução de tarefas; á atividade que visa o domínio dos processos de conhecimentos científicos numa disciplina corresponde o método investigativo; à atividade de observação corresponde o método de observação e assim por diante.

A escolha e organização dos métodos de ensino devem corresponder á necessária unidade objetivos-conteúdos- métodos e forma de organização de ensino e às condições concretas das situações didáticas. Em primeiro lugar, os métodos de ensino dependem dos objetivos imediatos da aula: introdução de matéria nova, explicação de conceitos, desenvolvimento de habilidades, consolidação de conhecimento etc. Ao mesmo tempo, depende de objetivos gerais da educação previstos do plano de ensino pela escola ou pelo professor.

Em segundo lugar, a escolha e organização dos métodos dependem dos conteúdos específicos e dos métodos peculiares de cada disciplina e dos métodos de sua assimilação.
Em terceiro lugar, em estreita relação com as condições anteriores, a escolha de métodos implica o conhecimento das características dos alunos quanto á capacidade de assimilação conforme a idade e nível de desenvolvimento mental físico e quanto suas características sócio-culturais e individuais

Em resumo, podemos dizer que os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir os objetivos do trabalho docente em relação ao conteúdo específico. Eles regulam a forma de interação entre ensino e aprendizagem, entre o professor e os alunos, cujo resultado é assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas e operativas dos alunos.


Os princípios básicos do ensino

Os princípios básicos do ensino são aspectos gerais do processo de ensino que expressam os fundamentos teóricos de orientação do trabalho docente. Os princípios do ensino levam em conta à natureza da prática educativa escolar numa determinada sociedade, as características do processo de conhecimento, as peculiaridades metodológicas das matérias e suas manifestações concretas na prática docente, as relações entre o ensino e o desenvolvimento dos alunos, as peculiaridades psicológicas de aprendizagem e desenvolvimento conforme idades. As exigências práticas da sala de aula requerem algumas indicações que orientam a atividade consciente dos professores no rumo dos objetivos gerais e específicos do ensino.

Ter caráter científico sistemático

Os conteúdos de ensino devem estar em correspondência com os conhecimentos científicos atuais e com os métodos de investigação próprios de cada matéria.

Recomenda ao professor:

Buscar explicação científica de cada conteúdo da matéria;
Orientar o estudo independente dos alunos na utilização dos métodos científicos da matéria;
Certificar da consolidação da matéria anterior por parte dos alunos, antes de introduzir a matéria nova;
Assegurar no plano de ensino e na aula a articulação seqüencial entre os conceitos e as habilidades;
Assegurar a unidade objetivos –conteúdos -métodos;
Organizar as aulas de modo que sejam evidenciadas as inter-relações entre os conhecimentos da matéria e entre estes e as demais matérias;
Aproveitar, em todos os momentos, as possibilidades educativas da matéria no sentido de formar atitudes e convicções.

Ser compreensível e possível de ser assimilado

Recomendações de práticas para atender a este princípio:
Dosagem no grau de dificuldades no processo de ensino, tendo em vista superar a contradição entre as condições prévias e os objetivos a serem alcançados;
Diagnóstico periódico do nível de conhecimentos e desenvolvimentos dos alunos;
Análise sistemática da correspondência entre o volume de conhecimentos e as condições concretas do grupo de alunos;
Aprimoramento e atualização, por parte do professor, nos conteúdos da matéria que leciona como condição de torná-los compreensíveis e assimiláveis pelos alunos.

Assegurar a relação conhecimento-prática

Algumas recomendações práticas para atender a este princípio:
· Estabelecer, sistematicamente, vínculos entre os conteúdos escolares, as experiências e os problemas da vida prática;
· Exigir dos alunos que fundamentem, com o conhecimento sistematizado, aquilo que realizam na prática;
· Mostrar como os conhecimentos de hoje são resultado da experiência das gerações anteriores em atender necessidades práticas da humanidade e como servem para criar novos conhecimentos para novos problemas.

Assentar-se na unidade ensino-aprendizagem

Algumas recomendações práticas em relação a este princípio:

· Esclarecer os alunos sobre o objetivo da aula e sobre a importância de novos conhecimentos para a seqüência dos estudos, ou para atender necessidades futuras;
· Provocar a explicitação da contradição entre idéias e experiências que os alunos possuem sobre um fato ou objeto de estudo e o conhecimento científico sobre esse fato ou objeto de estudo;
· Criar condições didáticas nas quais os alunos possam desenvolver métodos próprios de compreensão e assimilação de conceitos e habilidades (explicar como resolver um problema, tirar conclusões sobre dados da realidade, fundamentar uma opinião seguir regras para desempenhar uma tarefa etc.);
· Estimular os alunos a expor e defender pontos de vistas, conclusões sobre uma observação ou experimento e a confrontá-los com outras opiniões;
· Formular perguntas ou propor tarefas que requeiram a exercitação do pensamento e solução criativa;
· Criar situações didáticas (discussões, exercícios, provas, conversação dirigida etc.) em que os alunos possam aplicar conteúdos a situações novas ou a problemas do meio social;
· Desenvolver formas didáticas variadas de aplicação do método de solução de problemas.

Garantir a solidez dos conhecimentos

Este princípio se apóia na afirmação de que o desenvolvimento das capacidades mentais e modos de ação é o principal objetivo do processo de ensino de que é alcançado no próprio processo de assimilação de conhecimentos, habilidades e hábitos. A assimilação de conhecimento não é conseguida se os alunos não demonstram resultados sólidos por um período mais longo ou menos longo. O atendimento desse princípio exige do professor freqüente recapitulação da matéria, exercícios de fixação, tarefas individualizadas a alunos que apresentem dificuldades e sistematização dos conceitos básicos da matéria.

Levar à vinculação trabalho coletivo-particularidade individuais

O trabalho docente deve ser organizado e orientado para educar a todos os alunos da classe coletivamente. O professor deve empenhar-se para que os alunos aprendam a comporta-se tendo em vista o interesse de todos, ao mesmo tempo em que presta atenção ás diferenças individuais e as peculiaridades de aproveitamento escolar.
Para isso, podem ser adotadas as seguintes medidas:
· Explicar com clareza os objetivos da atividade docente, as expectativas em relação aos resultados esperados e as tarefas em que os alunos estarão envolvidos;
· Desenvolver um ritmo de trabalho de acordo com o nível máximo de exigências que se pode fazer para aqueles grupos de alunos;
· Prevenir a influência de particularidades desfavoráveis ao trabalho escolar (colocar nas primeiras carteiras os alunos com problemas de visão ou audição dirigir-se com mais freqüência a alunos distraídos, dar mais detalhes de uma tarefa a alunos mais lentos);
· Considerar que a capacidade de assimilação da matéria, a motivação para o estudo e os critérios de valorização das coisas não são iguais para todos os alunos: tais particularidades requerem uma atenção especial do professor a fim de colocar alunos isolados em condições de participar no coletivo.


Classificação dos Métodos de Ensino:


1 – Método de Exposição Pelo Professor
                  Nesse método, a atividade dos alunos é receptiva.
                  Cabe ao professor a apresentação dos conhecimentos e habilidades.
                  Podem ser expostos das seguintes formas:
                  Exposição verbal: sua função é explicar um assunto desconhecido. O professor deverá estimular sentimentos, instigar a curiosidade, relatar sugestivamente um fato, descrever com vivacidade uma situação real, fazer leitura expressiva, etc.
                  Demonstração: o professor utiliza instrumentos que possam representar fenômenos e processos, que podem ser, por exemplo: visitas técnicas, projeção de slides.
                  Ilustração: são utilizadas pelo professor, tal como na demonstração, a apresentação de gráficos, seqüências históricas, mapas, gravuras, de forma que os alunos desenvolvam sua capacidade de concentração e de observação.
                  Exemplificação: é um meio de auxiliar a exposição verbal.
2 – Método de Trabalho independente
                  É uma técnica de ensino que consiste de tarefas dirigidas e orientadas pelo professor, para que os alunos as resolvam de modo individual e criativo.
                  É preciso que os alunos já possuam determinados conhecimentos, compreendam a tarefa e seu objetivo, dominem o método de solução, apliquem conhecimentos e habilidades sem a orientação direta do professor.
                  O aspecto mais importante do trabalho independente é a atividade mental do aluno.
                  Este método pode ser adotado em qualquer momento da aula, como tarefa preparatória, tarefa de assimilação ou como tarefa de elaboração pessoal.
                  Na tarefa preparatória os alunos respondem um breve teste. Essa tarefa serve para verificar as condições prévias dos alunos.
                  As tarefas de assimilação são exercícios de aprofundamento e aplicação dos temas já tratados. Elas servem para revisar conhecimentos e assimilar a solução correta.
                  As tarefas de elaboração pessoal são exercícios nos quais os alunos produzem respostas surgidas do seu próprio pensamento. Para solicitar esse tipo de tarefa é preciso fazer perguntas que leve o aluno a pensar: para que serve...?, o que devemos fazer quando...?, o que aconteceria se...?.
                  Para que o trabalho independente cumpra a sua função didática o professor precisa:
                 Dar tarefas claras;
                 Assegurar condições de trabalho;
                 Acompanhar o trabalho;
                 Aproveitar o resultado das tarefas para toda a classe.
                 Os alunos, por sua vez, devem:
- Saber o que fazer e como trabalhar;
- Dominar as técnicas de trabalho;
- Desenvolver atitudes de ajuda mútua.

3 – Método de Elaboração Conjunta

                  Interação entre alunos e professor. É a conversação, aula dialogada, com elaboração de perguntas que leve os alunos a reflexão.
                  A forma mais usual de aplicação da conversação didática é a pergunta.
                  A pergunta deve ser feita com bastante cuidado, para que seja compreendida pelo aluno da pergunta.
                  Esse método é reconhecido como um excelente procedimento para promover a assimilação ativa dos conteúdos, desenvolvendo atividade mental, através da obtenção de respostas pensadas sobre a causa de determinados fenômenos, avaliação crítica de uma situação, busca de novos caminhos para soluções de problemas.
4 – Método de Trabalho em Grupo
                  Atividade coletiva que visa à integração e a colaboração dos alunos e/ou equipe para a execução de uma tarefa ou projeto. O professor precisa ter claro para trabalhar em grupo:
                 Objetivos
                    Que os conteúdos são meios e não os fins para o desenvolvimento de competências, necessárias na resolução de problemas.

CONDIÇÕES MÍNIMAS PARA O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO (ESPAÇO FÍSICO, ILUMINAÇÃO, OUTROS).

ORGANIZAÇAO DOS GRUPOS

IMPORTANTE!

        O professor deve deixar claro para a classe os critérios de agrupamentos, para que não encontre resistência na organização dos grupos, não decorrendo assim em equívocos didáticos.
Diferentes Formas de Apresentação em Grupo:
        Debate
        Philips 66
        Tempestade mental
        Grupos de verbalização
        Seminário


5 – Atividades Especiais

COMPLEMENTAM OS MÉTODOS DE ENSINO

CONCORREM PARA ASSIMILAÇÃO ATIVA DOS CONTEÚDOS


EX. ESTUDO DO MEIO

Planejamento
Execução                             
 Exploração dos result. e avaliação

RELAÇÕES COM FATOS SOCIAIS (realidade do aluno)


       Aprendemos a aprender nas experiências ao longo da vida, nas relações do homem com o meio. A comunicação entre os grupos é mais clara, facilitando a construção de novos saberes.
“Ninguém sabe tudo que não possa aprender e ninguém sabe tão pouco que não tenha nada a ensinar.”
Autor desconhecido



LIBÂNEO, JOSE CARLOS. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. 





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